No desembarque do médico-missionário
escocês, Dr. Robert Reid Kalley e sua esposa Sarah Poulton Kelley em solo
brasileiro, em 10 maio de 1855. O Brasil
império já iniciava nesta época um processo de crescimento expansionista,
econômico e exploratório em toda a sua área.
A sociedade era literalmente desigual e
injusta. Era uma sociedade dividida entre o patriarcado rico e a faminta
miserável classe escrava. Esse era o estado político da sociedade entre ricos e
miseráveis.
A religião oficial de todo sistema
opressor era a igreja católica com todo seu poder. E ser brasileiro é ser
católico, era isso que dizia a constituição brasileira em seu artigo 5º, quando
a primeira constituição foi autorgada em 1824. A justiça não existia para um
todo, mas para alguns, e o direito não era exercido em justiça para todos. Nisto
o evangelho protestante era considerado, religião de estrangeiro e uma religião
tolerada.
E ser protestante era literalmente ser
uma pessoa não ingrata. Não tinha seu casamento reconhecido, não poderia ser
enterrado no solo da igreja, não tinha certidão de casamento, não votava e nem
poderia ser votado, pois tudo isso era concedido pela igreja católica.
Dr. Robert Reid Kalley traçou um plano
de evangelização que levaria o evangelho de Jesus Cristo a todas as classes
sociais, com reuniões em residências, artigos em jornais, distribuição de
bíblias. Foi assim que escravos e senhoras da alta corte ouviram o evangelho da
verdade.
Em 19 de Agosto de 1855, o casal Kalley,
realizou a primeira classe de catequese em sua casa em Petrópolis-RJ, onde
cinco crianças foram ensinadas em língua portuguesa, sobre a história do
profeta Jonas. Nascendo a primeira escola bíblica no Brasil.
E a primeira igreja Kalleyana começou a
nascer. A consistência da evangelização foi tomando forma e o primeiro irmão
brasileiro, Pedro Nolasco de Andrade foi batizado em 1858, surgindo então a
primeira igreja evangélica, a igreja Fluminense e surgindo então, o primeiro protestante
brasileiro. Juridicamente o irmão Pedro Nolasco de Andrade, perdeu a proteção
de seu direito jurídico.
Em 1859, Dr. Robert Reid Kalley, recebeu
um despacho oficial do ministro inglês, Hon W. Stuart, que tendo recebido
denuncia do embaixador católico do vaticano no Brasil, sugerindo que Dr. Robert
Reid Kalley fosse embora de Petrópolis, pelo simples fato de estar fazendo
reuniões ilegais.
Dr. Robert Reid Kalley providenciou um
corpo jurídico para a causa: Nabuco Araujo, Sabino Urbano Pessoa de Melo e
Caetano Alberto Soares. E uma das suas alegações era: “os cidadãos brasileiros
adultos têm ou não a liberdade perfeita de seguir a religião que quiserem?”. A
causa da liberdade de culto teve adeptos famosos, Joaquim Nabuco, Machado de
Assis, Tavares Bastos e o próprio Imperador D.Pedro II.
É certo afirmar que o Dr. Robert Reid
Kalley não tinha nenhuma ligação com a igreja congregacional da Inglaterra e
não era membro de nenhuma igreja congregacionalista e sim da igreja
presbiteriana livre da escócia.
Apesar do Dr. Robert Reid Kalley não ser
membro de nenhuma igreja congregacional, mas a missão que ele queria ser
enviado para a china, fosse uma missão congregacional. O cancelamento de sua missão a China, foi por
causa de saúde debilitada de sua esposa ao clima do local. Dr. Robert Reid
Kalley era casado com a Sra. Margareth, sua primeira esposa, que veio a falecer
quando saiu de viagem de retorno da ilha da Madeira para a Escócia.
Tempos depois da morte de sua primeira
esposa Sra. Margareth, Dr. Robert Reid Kalley viaja para o oriente - Líbano e
lá conhece a sua segunda esposa Sarah Poulton Wilson.
A Sra. Sarah Poulton kalley era membro
de uma igreja congregacional na Inglaterra. Sabe-se que o sistema da igreja
congregacional surgiu no século XVI
na Inglaterra. E certamente Sarah Kalley exerceu uma grande influencia ao seu
esposo no que se refere ao congregacionalismo e seus fundamentos e princípios.
Essa influencia de alguma certa forma
trouxe o casal Kalley para o Brasil no ano de 1855, para apregoar as boas novas
em terra de tupiniquins.
A consistência da evangelização e o amor
a obra de Deus pelo casal Kalley foi tomando forma cronológica e didática. O
próprio Dr. Robert Kalley se definia como um ministro, sem restrições
denominacionais.
As igrejas fundadas por Kalley não tinha
nenhum vinculo ou raiz histórica com a instituição congregacional de base, ou
seja, que tenha qualquer tradição denominacional. Essas igrejas eram
literalmente independentes, tinham suas identidades próprias.
A primeira igreja evangélica fundada por
Kalley em 11 de julho de 1858, foi chamada de igreja evangélica fluminense que
está até hoje localizada na Rua Camerino, numero 102, no centro da cidade do
Rio de Janeiro.
Já em 19 de outubro de 1873 foi fundada
mais uma igreja por Kalley. A igreja Evangélica Pernambucana, localizada na Rua
Nogueira, 190, no bairro de Santo Antônio, próximo ao Mercado de São José. A
igreja evangélica Pernambucana foi a primeira igreja protestante do estado e a
partir dela o protestantismo foi espalhada por outras regiões do Nordeste do
Brasil.
Em 10 de julho de 1876 o casal Kalley
volta para a Escócia deixando um pioneiro legado e promissor. Deixando 13
igrejas organizadas desde 1858 à 1876. E essas igrejas foram denominadas como
igrejas Kalleyana.
Sua esposa Sarah Kalley também deixou
uma grande contribuição com seu talento de musicista. Sarah foi a principal
tradutora, autora e editora dos belos hinos da coletânea, que por muito tempo
os seus Salmos & Hinos foram utilizados por outras tradições protestantes
durante quase todo o século XX.
No dia 17 de novembro de 1861 foi
oficialmente feita a primeira edição dos Salmos & Hinos no Brasil, em um
culto publico com grande louvor a Deus. O Salmos & Hinos foi muito
utilizado nos cultos congregacionais e a sua influência tornou estabelecida o
padrão do culto protestante no Brasil com músicas sacra.
Após a volta do Dr. Robert Kalley a
escócia em 1876, ficou em seu lugar no pastorado da Igreja Evangélica
Fluminense, o pastor João Manoel Gonçalves dos Santos. O Pastor João Manoel
Gonçalves dos Santos elaborou uma súmula doutrinária composta de 28 artigos
conhecida como: “Breve exposição das doutrinas fundamentais do cristianismo”.
Esses 28 artigos não contém todo ensino apostólico, mas somente as doutrinas
fundamentais.
Em 1913 os congregacionais brasileiros,
organizaram a sua primeira convenção de igrejas congregacionais. Foram
discutidas duas importantes pautas. A primeira pauta foi a organização de uma
estrutura denominacional que ficaria conhecida como União das igrejas
Evangélicas indenominacionais do Brasil, com a iniciativa de reunir a
majoritária, mas o nome foi esquecido. Mas em 1969 foi estabelecido outro nome
que permanece até o dia de hoje: UIECB - União das Igrejas Evangélicas
Congregacionais do Brasil.
A segunda pauta importante que foi
discutida na primeira convenção, foi a criação de um seminário Teológico que se
encarregaria de oferecer formação acadêmica aos candidatos ao ministério
pastoral. A pauta foi contemplada/aprovada e executada no ano seguinte em 1914.
No quadro abaixo segue o percurso da
história de longa duração do congregacionalismo brasileiro:
|
|
PERIODO |
RECORTE
TEMPORAL |
CARACTERISTICA
GERAL |
|
1 |
Kalleyano |
1855 A 1876 |
Fundação das primeiras igrejas |
|
2 |
Pré-institucional |
1876 a 1913 |
Igrejas independentes Kalleyans |
|
3 |
(In)denominacional |
1913 a 1942 |
Tentativas denominacionais |
|
4 |
Fusão |
1942 a 1968 |
Hibrismo eclesiástico |
|
5 |
Cismático |
1961 a 1969 |
Dissidências e divisões |
|
6 |
Denominacionalista |
1969 a 2022 |
Tensões eclesiásticas |
A história do congregacionismo
brasileiro é rica e ampla. E é necessário compreende-lo para entender o
nascimento do protestantismo no Brasil.
E a União das Igrejas Evangélicas
Congregacionais do Brasil tem esse legado em sua história.
Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho
da Salvação. Soli Deo Gloria.
REFERENCIAS
BIBLIOGRAFICAS:
- Carreiro, Vanderli Lima - Nossa
doutrina – comentário dos 28 Artigos da Breve Exposição das doutrinas
fundamentais do cristianismo: Rio de Janeiro, Unigevan, Editora, 2005, 305 p.
- O cristão, “ Nos pregamos o Cristo 1Co
1:23”, ano 126º, nº 02, Especial 2017.
- Carreiro, Vanderli Lima – Fundamentos
e Principios do Congregacionalismo: Campinas – São Paulo: editora
Contextualização, 2016.
- O cristão – informativo oficial da
União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, “nós pregamos a Cristo
1Co 1:23”, edição de aniversário, agosto de 2020, ano 128º, nº 01.
- Santos, Lyndon de Araujo – capítulo 5,
Independência ou maquina! – uma história institucional dos congregacionais no
Brasil 1913 a 2022. Santos.
ALEXANDRE PEREIRA DE MORAES
OUTUBRO DE 2024

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